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WWE (ou Como a Taça Guanabara é maior que a Bundesliga)

Eu não acredito muito em futebol. Não que eu não acredite que ele exista. Ele existe. Eu já vi ele. Eu só não acredito muito que ele exista da maneira com que normalmente se acredita em futebol. Eu mesmo já achei que sabia muito sobre futebol, (as escalações, as táticas, as teorias…) para um tempo depois entender que não sabia nada. Acho que pouca gente entende que isso é meio que saber nada.

Eu definitivamente acredito que o esporte em geral é transmitido e discutido pela mídia da maneira errada. O jornalista esportivo médio odeia esportes. Ama o assunto, ama ser conhecedor, ama ser reconhecido como conhecedor, ama viver esse ambiente de redação, ambiente de bastidor, ambiente de clube, ama ser reconhecido como alguém de ideias atuais e diferentes, enfim, ama a si, odeia o esporte.

Para amar o esporte, a mídia esportiva deveria em primeiro lugar entender o que torna o esporte algo especial. Eu acredito que para isso vingar todo jornalista deveria passar um período de estágio ou provação cobrindo a WWE, antes de poder escrever uma linha sobre o time do Botafogo.

Eu adoro a WWE. Eu adoro wrestling. O do falso mesmo. A luta greco-romana é bem chata. Fake wrestling não é um esporte, é ficção. A WWE é um programa de televisão sobre atletas. Sobre os lutadores mais fortes do mundo disputando o cinturão de cara mais daora do mundo. Eles fazem isso através de lutas encenadas, que envolvem habilidades atléticas e acrobáticas, mas lutas cujo resultado alguém já sabe qual vai ser.

Wrestling não deixa de ser esporte por ser “armado”. Alguém seria louco o suficiente de me dizer que esse jogo aí de baixo não é esporte?

Esse jogo aí é uma partida decisiva do que teria sido o tricampeonato italiano da Juventus, não tivessem descoberto que tudo andava meio “armado” lá nos máfia.

Acredito que a mídia esportiva em geral precisa lembrar que o esporte é principalmente a potência de grande ficção que dele surge. Eu não acredito muito em futebol. Abri o texto dizendo isso. Eu desconfio bastante do futebol praticado no mundo. Acho ele meio “armado”.

Eu poderia passar o resto do meu tempo tentando provar pra vocês coisas sobre controle de apostas, políticas antidoping, sobre como em outros esportes isso aparece e como no futebol, o esporte que mais dá dinheiro no mundo, isso nem é mencionado em lugar nenhum.

Isso não importa.

Ou não deveria importar. E se for “armado”? Que diferença tem pra mim se alguém no mundo já sabe o resultado dessas partidas? Ou se alguém no mundo já sabe que no segundo tempo dessa partida tem um pênalti? Eu não sei, caralho.

Eu não deixo de me emocionar menos com um filme por que outras pessoas no mundo já conhecem o final dele. Eu vivo ele. Eu me emociono com ele. Eu torço por personagens. Eu me envolvo. Eu sonho com coisas maiores por conta deles. O esporte é uma ficção que se desenvolve ao vivo (ou algo assim, tanto faz).

Um canal como a Globo, que é um canal aberto, cujo público alvo é a família toda, um canal que quer falar de futebol com a minha avó; esses canais deveriam tratar, em especial, o esporte como se fosse a WWE. Falar na transmissão sobre os personagens, sobre as histórias, sobre a emoção envolvida. Menos dados e estatísticas, menos mesa tática.

Essa visão materialista do jogo, de ver jogo apenas pelo que ele é aos olhos, de ver estatística de posse de bola, de ver mapa de calor, de ver “o bom futebol dos alemães” é o que verdadeiramente vai destruir o futebol brasileiro.

Essa visão materialista destrói o Olaria, o Bangu, o América, a Taça Guanabara, o futebol de bairro e de interior como um todo. Cria uns vermes que assistem bundesliga e não prestigiam o time da cidade.

Alguém que ama futebol, ama o esporte, sabe que toda vez que uma bola rola existe a possibilidade de uma epopéia sem tamanhos. Qualquer pelada que você jogue com amigos tem a potência de ser o maior jogo de todos os tempos, aquele pelo qual você vai sentir a presença de algo maior entre nós e dentro de você. Tipo quando o Bret Hart defendeu seu cinturão contra o Shawn Michaels em 92.

 

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