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Tropicalzêra e a fonte das emoções

O High Llamas e muitas bandas se dizem inspiradas pelo Tropicalismo e pelo Brasil. Eu acho importante a seguinte e provável condição dessa inspiração:

São músicos que não colocam o Brasil em sua música, assim ativamente, e sim que se colocam no Brasil, passivamente, para fazer música. Talvez alguns até achem que “tropicalismo” seja isso: colocar-se nos trópicos, num trópico imaginado, num Brasil de praias e exótico, para daí fazer músicas.

Já o Tropicalismo que nós conhecemos mais na vizinhança, criado aqui dentro e para cá, infelizmente costuma ter uma atitude mais limitada, que é a do artista apenas como um citador, um coletor de dados a serem mixados, liquidificados ativamente. É claro que, com o coração aberto e com luz, o músico do tropicalismo ativista vai fazer música boa a partir do seu método ousado, mas a diferença entre o nosso tropicalismo mais Nação Zumbi e Graveola & O Lixo Polifônico e o tropicalismo High Llamas é muito grande e básica, é uma diferença na atitude livre; na condição de liberdade que existe lá e aqui. E que torna bandas como o High Llamas bem mais leves, suficientemente pesadas.

E nunca houve música anti-americana boa, isso é impossível, uma música anti-americana apenas “interessada na guitarra elétrica”, por exemplo, já que os EUA são a fonte mais pura da música emocionante e mesmo o músico não familiarizado com ela o sente, tendendo a temê-la.

Fazer música boa também nunca foi questão de citar os EUA, de se apropriar de dados da América, e sim de se colocar lá, viver lá mesmo estando longe. Foi assim para os Beatles, para o Tom Jobim, Mutantes, Claudinho e Buchecha, Ed Motta, e parece ser assim para qualquer um que queira ouvir, ouvir e fazer.

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