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Please Come to Brazil

Existem alguns fenômenos que pela sua constância e continuidade representam mais do que meras coincidências, e esse, conforme fui percebendo, é um deles.

Esse fenômeno aconteceu com uma variedade imensa de bandas: Strokes, Wilco, Guns’n’Roses, James Blake, Sondre Lerche, Real Estate, Arcade Fire, Disclosure, Mac de Marco, Tame Impala, etc.

A regra é: Uma banda após vir tocar no Brasil nunca mais conseguirá fazer música boa como antes.

Queria explicar melhor o que significa essa regra. Não é bem que a banda a partir do momento que tocou no país só vai fazer música ruim, ela pode sim fazer umas boas eventualmente, mas não será no mesmo nível daquilo que era antes de vir ao Brasil.

Não sei se isso se deve a uma tendência natural de a banda ficar mais ligada a um carreirismo de tocar em lugares exóticos, ou se a própria ideia de tocar no Brasil já revela algo de errado na banda que antes estava dormente, se é despertado algum fantasma que desloca o eixo normal da disposição a fazer média e cultivar aparências (o que, claro, feito em um certo modo é normal em quem faz show grande e até uns menorzinhos vá lá) pra forma insalubre que essas coisas tomam em território nacional. Ou ainda se é o caso de, ao tomar contato com o Brasil, pessoas não preparadas, não acostumadas com tamanha lama espiritual, ficarem simplesmente abaladas.

Não me está claro exatamente do que se trata, nem sei se é possível saber, mas me ocorre por exemplo um fato que o Stan conta, acontecido no show do Real Estate em São Paulo: aquele gordinho de boné que emagreceu foi tentar se entrosar com a platéia usando um papo horripilante sobre ‘Ronaldinho’, aqueles papos que todo mundo sabe, mas esse teria sido especialmente feio e constrangedor. Você pode pensar “Ahh, mas nisso aí o brasileiro é mais pra vítima”. Olha, dá pra pensar isso, mas não sei não, mesmo sabendo por vídeos que o sujeito tem essa tendência a ser o amigão do público, nesse caso dizem que parecia é que algum “negócio” tinha tomado conta dele, a ponto de o resto da banda ter que começar uma música de sopetão pra ele parar com aquilo.

Talvez seja algo passageiro pra esses artistas, pra alguns acho que é (outros nunca se recuperaram), mas o que parece é que alguma “nhaca” fica impregnada neles no meio desse processo, como se a dinâmica gerada pelo show aqui (as pessoas especulando na internet, o burburinho de jornalistas e blogueiros nacionais anunciando e resenhando, os valores exorbitantes de ingresso, a relação do brasileiro com os shows, a ânsia de inseguro fora do comum desse povo em ter contato com os artistas, “ficar bróder”, etc) não batesse errado só pra gente que está aqui acompanhando.

Então é melhor ter cuidado com o que deseja, o preço de ver sua banda preferida no Brasil pode ser bastante alto.

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