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Nova educação

Para qualquer facção de feitio revolucionário, a coisa que importa é a cultura, seu controle total e em parâmetros que gerarão a septicemia nas almas. O que importa, portanto, é a educação, torná-la um dispositivo de refabricação imaginativa. E alguma coisa acontece na educação das escolas.

Vi no site que a tramitação necessária para a chamada Base Nacional Comum ainda está em andamento. Independente da não conclusão, a consequência da nova esquematização do ensino obrigatório já está por aí, adiantada. Já existe um currículo, no momento semi-oficial, adotado depressa pelos livros, certamente por conta de uma mistura de complacência extraordinária para “mudanças” com “praticidade editorial” (talvez esforço do antigo governo ao perceber que teria menos controle formal, embora mantenha controle geral do pensar institucional, cultural e estrutural, inclusive do pensar de seus “inimigos”).

Meu irmão pegou um de seus livros a fim de revisar a leitura necessária em algum capítulo para uma atividade escolar. Ouvi do outro quarto um espanto já meio engraçado. “Caramba… olha o dever que o livro me passa! Exu, Oiá, ‘quem cuida do comércio de akessan(??). Parece samba da Salgueiro, Lucas”. Meu irmão estava sendo ensinado sobre as divindades do panteão iorubá e as perguntas que o manual escolar propunha no tratamento do texto folclórico eram do tipo “no Brasil a figura dos exus foi associada a forças malignas. Essa associação é coerente com o papel dessas entidades na mitologia iorubá?”, ou então “a cultura brasileira pode ser pensada sem levar em consideração a cultura dos povos africanos?” Perguntas absurdas, abusadinhas ou pra lá de sacanas com uma pessoa aos 12 anos – ainda que estejamos falando de Rio de Janeiro.

A reforma arquitetada através do Conselho Nacional de Educação transforma, por exemplo, a disciplina de História em um treinamento esquisito de antropologia cultural do terceiro mundo, em sincronia com o esquema de referências culturais da esquerda e abolindo o ensino normal (temporalidade, senso de proporções). Meu irmão não é treinado a me informar com sucesso, em sua idade, qual é a capital do Piauí. As mudanças são uma nova etapa no controle ministerial do ensino, já praticamente arregimentado em todas as camadas, para uma definitiva e radical preparação de atmosfera.

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