website statistics

Não saber sobre Cuba

Eu sei muito pouca informação factual sobre o Fidel. Alguns fatos que me chegaram já chegaram a todos: perseguiu gente, matou. Acho que não chegou a todos a informação de que a medicina cubana já era boa, de ponta, na época do Fulgêncio. E a “educação”? Não sei.
 
Conhecidos meus que foram a Cuba voltaram mais sugestivos do que informativos sobre o que viram, talvez por decepção dissimulada, talvez por desconfiarem que a reprodução das informações captadas lá pudesse atrapalhar a própria experiência de estar lá. Isso pode acontecer.
 
Mas disseram de um lugar onde ser uma mulher bonita é perigoso e desagradável demais, e disseram de um povo solidário e dócil, jogando dama na praça em certos lugares. Eu imagino essa Cuba também, uma Cuba de velhos, Buena Vista Social Club e Cem Anos de Solidão. Mas quer dizer, a imaginação já comporta bem no mínimo um “erro de informação”, que é Cuba ser ao mesmo tempo hostil à menina brasileira e hospitaleira à mesma menina.
 
Disseram que gostaram da ilha. Eu não duvido e acho que eu também gostaria, nunca deixei de gostar de qualquer lugar minimamente hospedável e diferente da minha casa, ainda mais sendo uma ilha, e acho que até os 40 anos estarei assim.
 
Mas acho que a gente não deve confundir, ou confundir tanto, a Cuba que vemos nos filmes, relatos fugidios e dos próprios pés, com a “Cuba de Fidel”. Mesmo se o Fidel for muito tipicamente cubano, essa confusão feita a partir de certo nível de consciência é mal intencionada. Porque se Cuba é um lugar especial, é especial por motivos em grande parte indiferentes à presidência/ditadura que lá exista. Ou é mágica até APESAR da situação política decaída, quando por exemplo o isolamento comercial gera carros americanos antigos andando nas ruas, carros que cercados de painéis luminosos mal cuidados devem fazer uma atmosfera nostálgica e de abandono tranquilo.
 
Cuba é um lugar entre o mágico e o escondido (escondido pela imprensa, por exemplo), e não sabemos o quanto a desinformação alimenta a magia. Não me preocupo ainda TANTO em saber, apesar de achar sim digno de preocupação.
 

Sei que fala-se pouco sobre Cuba e confunde-se Cuba com Fidel, e isso parece injusto, um julgamento que talvez a “História vá fazer” quando, daqui a 100 anos e Cuba governada pela ONU ou por um americano ou por um descendente do Fidel, continuar um espaço singular.

-
Visite nossa página no Facebook