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Invasão trololó

Outro dia eu estava vendo Jornal Nacional com a minha namorada e no meio de uma notícia séria nós dois começamos a gargalhar. Havia na mistura de imagens, falas e intenções daquela matéria alguma coisa definitivamente hilária, mesmo que quem a construiu não soubesse da graça contida nela (e essa carga de seriedade tornava tudo mais engraçado ainda). Não me lembro direito o que foi que nos fez rir exatamente, mas tinha a ver com perceber na notícia uma estrutura de fingimento e pompa forçada que a tornava uma caricatura de si própria; como se, ao se desvencilhar dos sentidos e emoções plásticas que o jornal trazia a tona, ela se tornasse ridícula a nível molecular.

Isso pode acontecer com você um monte de vezes, aliás. Assistindo à maioria dos programas de televisão brasileiros, dos de auditório às mesas redondas, das novelas recentes às historinhas de superação, há algum jeitão de documento trololó. Pode acontecer até ao vivo, essa vontade espontânea de gargalhar, se você tiver com a percepção treinada e ir parar nos habitats naturais do fingimento. E o cotidiano brasileiro é tão carregado de dissimulações, de farsas sentimentalóides e encenações teatrais que tem realmente um monte de gente que consegue levar essas sátiras ambulantes a sério.

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