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Beisebol/108 anos

Começou a World Series, que é a final da liga de beisebol dos EUA, a MLB. Esse nome World Series já gerou muito protesto daquele tipo “os americanos acham que são o mundo haha, Cuba já ganhou deles em Olimpíadas”, mas se você olhar direito não é bem esse o caso do nome. A MLB é a junção de duas ligas – Liga Nacional e Liga Americana – e essa final é entre os campeões de cada uma delas, então, se reparar bem, não sei que outro nome daria pra escolher. O World aí é mais pra ‘campeão geral’, ‘campeão de tudo’.

A final desse ano é especial porque chegaram dois times dos mais antigos e que não ganham faz muito tempo. O Cleveland Indians ganhou a última em 1948, mas a atração maior é o Chicago Cubs, que não ganha desde 1908 e nem chega nessa final desde 1945. Esse fato já é uma piada de décadas, foi usado por exemplo em De Volta Para o Futuro 2, onde o Marty McFly chega em 2015 e vê um letreiro dizendo que o Cubs foi campeão finalmente, se empolga e compra um catálogo de resultados de beisebol que vai parar nas mãos do Biff. Usando os resultados para apostar, Biff deixa de ser um malandrão pobre e coitado pra virar um milionário que faz da América um lugar malandrão à sua imagem e semelhança. Era disso que o Ted Cruz falava quando, pouco antes de desistir da pré-candidatura, declarou que poderíamos ver o triunfo do Biff Tannen.

O beisebol é um jogo paradão, com poucas variações de ação possíveis se comparado a esportes dinâmicos como futebol e hóquei. Por isso mesmo é um jogo muito afeito a estatísticas e análises de computador (o tal do Big Data), que é operado por um gordinho gente boa e protagonista no filme do Brad Pitt, baseado em fatos reais, e por um alto zé roela secundário no filme de ficção do Clint Eastwood.

Mas para além disso é um jogo de sutileza e nervos, de dias agraciados e dias péssimos (especialmente pros arremessadores), de sequências de rebatidas certas – que vão aumentando a confiança do rebatedor e levando a mais rebatidas certas – e semanas a fio em que ele não consegue acertar a bola e vai ficando deprimido, bravo, briga com a namorada, fica andando sem rumo pelo bairro.

Como a duração do jogo não é contada por tempo, mas por eliminações de rebatedor, a coisa realmente só se decide quando o último é eliminado, logo, enquanto isso não acontece, é sempre possível ter uma virada, como já aconteceu muitas vezes. Por isso é comum os treinadores passarem o jogo inteiro mastigando alguma coisa, que muitas vezes é fumo. Acho que é proibido fumar no banco senão todos ficariam ali matando três maços por jogo. Essa dinâmica paradona faz também com que os jogadores não precisem ser muito atléticos, de forma que tem sempre um gordaço no time, que rebate ou arremessa legal e fica engraçado quando corre pra base.

Muitos se entediam vendo aquela sequência interminável de arremessos onde parece que nada está acontecendo, e é verdade, é difícil assistir um jogo inteiro pra quem não é aficionado. Já pro aficionado, colecionador de cards de beisebol de todos os tempos, essa sequência é um tipo de Super Trunfo onde cada arremessador (o que está em campo e os que estão aquecendo pra entrar “qualquer coisa”) tem um arsenal de características, mais claras ou mais sutis, que podem ganhar ou perder do rebator, só que é um Super Trunfo em que os números ficam dando umas mudadas um pouco previsíveis mas não tanto.

Começou a final. Muita gente esperou por essa chance do Cubs depois de 108 anos na fila.

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